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Ocultismo y el Tibet

Blavatsky e os Mistérios Tibetanos

Escrito por Marco Aurélio Bilibio de Carvalho

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Esta palestra marca a abertura de um ciclo de estudos sobre o tantrismo tibetano que a loja Alvorada, às sextas-feiras, começa a empreender. Durante alguns meses nós vamos nos concentrar em alguns tópicos importantes do budismo, especialmente dessa vertente conhecida como budismo tântrico, ou budismo secreto, ensinado por Gautama para aqueles que sentem a energia e a disposição para caminhar com mais rapidez em direção à luz interior.


O Vajrayana é uma escola complexa. É uma escola profunda da psicologia oriental, tal como todo o budismo, mas que tem algumas características que a tornam, especialmente para os membros da Sociedade Teosófica – os estudantes das filosofias ocultas -, um assunto de especial interesse.

O título que eu preferi dar ao nosso encontro de hoje, Blavatsky e os Mistérios Tibetanos, remete-nos à obra mais importante da Blavatsky, “A Doutrina Secreta”, em que já no seu título, síntese de toda a sua obra, ela faz uma proposição na qual resgata uma antiga idéia dos mistérios pagãos: que todas as verdadeiras tradições da humanidade, em seus momentos áureos foram verdadeiras psicologias da transformação. Tinham uma apresentação religiosa para o público e uma apresentação filosófica e secreta para aqueles que haviam trilhado o caminho da ética e do desenvolvimento interior mais seriamente.


Então, ela percorre o fio da história, nesse livro, mostrando como entre os babilônios, entre os egípcios, entre os gregos, entre os hindus, entre os persas e outros, co-existiram essas duas facetas da cultura mística desses povos. Suas filosofias religiosas estavam representadas no que era chamado de Escolas de Mistérios, que dividiam-se em Mistério Maiores e Mistérios Menores.


E ela assegura que pela natureza dos temas que eram ensinados nos Mistérios Maiores (a imortalidade da alma) e principalmente pelas transformações psicológicas e espirituais pelas quais passavam os que eram iniciados nos seus graus secretos (experiência direta dos mundos do post mortem) aqueles ensinamentos e a própria instituição dos Mistérios não poderiam desaparecer e que, portanto, estariam vivos ainda hoje, através da ação de homens especiais, muito especiais, que atingiram um alto nível de desenvolvimento da sua natureza espiritual.

Homens que podem estar usando corpos físicos ou não, mas que certamente são muito atuantes nos níveis físicos e não físicos, a favor do desenvolvimento interno e do desenvolvimento espiritual de toda a humanidade.

Então, fica a pergunta: HPB teve experiência direta do que escreveu? Será isso real? Será que ela escreveu de ouvir falar ou será que ela teve também, ela própria, suas iniciações, teve suas experiências pessoais no âmbito das verdadeiras tradições?

Então, como esse encontro de hoje será um encontro muito rápido e com pouco tempo para explorar tantos aspectos, alguns, infelizmente, terão de ficar de fora. Eu pretendo apenas fazer uma trajetória junto com vocês, dando primeiro uma breve introdução sobre o budismo tântrico, tema que já tenho abordado aqui em outros momentos, e que, tenho certeza, muitos de vocês conhecem melhor do que eu.


Vamos fazer também um acompanhamento da trajetória da própria Helena Blavatsky. Alguns relatos a respeito de como ela entrou no Tibet. O que teria acontecido com ela, de acordo com os relatos encontrados na sua biografia, e em algumas outras fontes. E eu acredito que no final nós vamos chegar à conclusão, aliás, conclusão a que qualquer um que tenha estudado com suficiente seriedade a obra dela vai chegar: de que ela não falava de teorias.


Curiosamente, suas vivências foram inspiradas por um cenário cultural, o Tibet, que infelizmente, uma das grandes tragédias no século vinte veio modificar: sua invasão pela China e o genocídio dos tibetanos. Aquele cenário foi talvez onde Blavatsky viveu suas descobertas mais profundas. Talvez seja um exagero dizer isso. Na verdade a trajetória interior de Blavatsky começou antes, prosseguiu depois, e na essência, talvez ela independesse do Tibet, como do budismo tibetano em si próprio.


Porque como nós vamos ver no nosso encontro de hoje, provavelmente o budismo tibetano foi ou é, eu não sei, uma das portas que esta inquebrável linha de instrutores do sagrado conhecimento utilizou para que aquelas pessoas espiritualmente mais dotadas pudessem ter acesso a essa que é a maior herança que a humanidade já possuiu e que os antigos chamavam de a Ciência Sagrada.


Vamos começar fazendo uma rápida introdução sobre o que é o Budismo Tibetano, sem me repetir, até porquê esse assunto é exaustivamente tratado em outros encontros. É um assunto de fácil acesso, tem livros maravilhosos sobre esse tema. Numa outra ocasião eu trouxe aqui o que chamei de “As Yogas Secretas”, inspirado num livro de Evans-Wentz, um escritor que no começo dos anos trinta foi pioneiro em trazer os textos originais do sânscrito para o Ocidente e deu esse nome a um de seus livros: “A Yoga Tibetana e as Doutrinas Secretas.”


O Budismo Vajarayana gerou centenas de sábios, místicos, pessoas capazes de operar leis da natureza, em geral, desconhecidas da humanidade. Por essa razão o Tibet foi um lugar notoriamente associado à magia e aos mistérios. Viajantes ocidentais que foram ao Tibet registraram coisas interessantes que viram, e conheceram um povo para o qual os níveis invisíveis da vida eram tão reais quanto os níveis visíveis. Esse povo se acostumou a ver, a procurar e receber instrução de seres humanos cuja qualificação psíquica e espiritual só pode ser definida como notável.


Homens devotados a um tal nível ao bem da humanidade e a todas as outras formas de vida, que seriam capazes de dar suas próprias vidas pelo bem dos outros. Ainda recentemente esse ideal foi exemplificando através da vida de um dos últimos yogues tibetanos muito próximo de uma realização do Budado, Kalu Rinpoche. Um homem que viveu doze anos em cavernas nos Himalaias e que era incapaz de matar nenhum dos mosquitos que terrivelmente, dolorosamente, buscavam compartilhar um pouco do sangue dele e, apesar das dores e incômodo, esse homem mantinha-se por horas e horas em meditação, em suas práticas interiores, incapaz de machucar até mesmo um mosquito que lhe prejudicava.


Exemplo de grandeza de alma, grandeza de alma que não é um presente aleatório que a natureza deu a este ser. Ao contrário, ele, como seus irmãos, trilhou um caminho gradual, passo a passo. E esse é um dos aspectos mais interessantes do budismo tibetano: é um caminho passo a passo. Um caminho que pode ser trilhado por qualquer um, independente do momento psicólógico em que esteja. Nesse sentido vejo o Budismo como uma Escola de Psicologia Oriental, com instruções práticas para superar dificuldades naturais da mente e atingir estados interiores de maior harmonia, consigo mesmo, com o próprio corpo e com todos os outros.


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Todos nós somos conscientes dos nossos limites, das nossas dificuldades. Nenhum de nós é perfeito. E nada melhor para aquele que tem consciência das suas próprias dificuldades do que um caminho que contempla essas dificuldades sem, em nenhum momento, usar de culpa ou de exigência. Em nenhum momento vocês vão ver um verdadeiro budista culpando a outros pelas suas falhas. Sequer exigindo de outros que sejam melhores do que são.


Em nenhum momento. Outra coisa que vocês vão observar no budista: ele nunca vai pregar. O budista jamais vai ensinar a sua filosofia a não ser que isso lhe seja pedido, demonstrando um profundo respeito pelo caminho e pelas crenças do outro. Isso é hoje maravilhosamente exemplificado nas palavras do Dalai Lama. Um de seus livros completou 70 semanas como best-seller. No Brasil inteiro os leitores descobrem o Dalai Lama e se encantam quando ele diz que não acha que seja fundamental para o ser humano ter uma religião.


O essencial para o ser humano é amar. A religião é secundário. Quem diz isso é o maior líder de uma comunidade imensa que busca a espiritualidade.

Dalai Lama sugere que cada um tenha o seu próprio caminho. Se o indivíduo é cristão, seja um bom cristão, se é judeu, se é mulçumano, que seja um bom judeu, um bom mulçumano. E que no aprofundamento de sua caminhada ele próprio descobrirá essa energia que está além do aspecto formal de sua religião, dos seus cânones e demais diferenciações que em geral nós fazemos, mas que diz respeito à essência da vida espiritual.

Uma energia latente nas profundezas de cada um de nós e que pode ser acessada, se compreendido o caminho para acessá-la, e que existe como a mais maravilhosa realidade. Uma transformação da mente ocorre na vivência dessa energia.

Sem descobrí-la eu não acredito que qualquer um de nós possa se considerar um ser humano completo. Eu acho que a presença e a descoberta dessa energia do sagrado em alguma medida dentro de nós, e se vocês já não tivessem tocado essa dimensão eu acredito que vocês nem estariam aqui, na busca, porque o fato de estarem aqui representa a busca. Só essa descoberta torna o ser humano pleno…


Então, o budismo tibetano é essa psicologia, essa filosofia religiosa, essa yoga, literalmente. Existem seitas budistas que não são yoga. O budismo tibetano é uma yoga. O que chamo de yoga é um modo de vida cuja atitude e as práticas são dedicadas à união dessas duas naturezas que habitam em nós: a mortal e a imortal. O budismo tibetano é um caminho de preparação dos alicerces, conhecendo os mecanismos da mente e através de práticas adequadas ao seu próprio momento e às suas características, você vai galgando novas descobertas sobre a sua natureza interior.


E o budismo tibetano tem uma característica especial. Ele torna explícito o que era implícito nos mistérios pagãos, que como disse antes eram formados por Escolas maiores e Escolas menores, as chamadas Escolas de Mistérios. O budismo tibetano – e estudando a vida dos ascetas, dos místicos, observa-se claramente isso – reconhece que as práticas podem ser levadas até um determinado estágio, mas quando o indivíduo chega nesse ponto, aí então ele precisa de instruções que não vão ser encontradas em livros.


Precisará esse indivíduo, de uma iniciação dada por alguém que já viveu essa realidade transcendente, e aí então, ele pode começar um treinamento avançado que poderá levá-lo a penetrar nesses reinos mais internos.

O budismo tibetano foi expulso da sua pátria e se tornou patrimônio da humanidade. Isso é uma coisa fundamental. É o lado luminoso de um episódio extremamente sombrio. O budismo tibetano foi descoberto pela psicologia. Está sendo descoberto pelas pessoas e está sendo um ponto de inspiração para muitos, cada vez mais. E é por isso que nós vamos fazer esse ciclo de estudos na Loja Alvorada, para compartilhar investigações sob uma ótica teosófica, que é um pouco diferente da ótica budista clássica, porque considera informações sobre o mundo oculto que são apenas simbolizadas em ensinamentos budistas. Então, nós vamos fazer esse estudo para cobrir alguns dos aspectos mais importantes dessa filosofia.


Muito bem. Então vou falar um pouquinho da trajetória da Helena Blavatsky; sobre o que foi que aconteceu com esta mulher. A Helena nasceu numa família de diplomatas e de guerreiros, militares em geral. Ela tinha um temperamento bastante forte e ao mesmo tempo… ela tinha, ainda menina, um psiquismo que a colocava em situações muito diferentes. Ela via coisas, falava com seres que outros não viam. Já pequenininha inventava histórias sobre reencarnação, enfim, causou muito estranheza o seu psiquismo precoce.


Mais tarde, estudando o material que para mim é o material mais inspirador do movimento teosófico, as Cartas dos Mahatmas, nós encontramos uma passagem em que um dos Mestres que instruiu Blavatsky, Mestre a quem ela encontrou fisicamente no Tibet, disse que durante um século, vejam bem, um século, ele e seus irmãos, o Mestre e seus Irmãos espirituais, procuraram um corpo europeu com condições de levar para a Europa essas informações que eram restritas ao Oriente- a Europa era absolutamente fechada para isso – e que só conseguiram esse corpo com Helena Blavatsky.

Esse psiquismo espontâneo dela precisou ser trabalhado. E um divisor de águas na vida de Blavatsky foi quando ela, que desde menina contemplava nas suas visões psíquicas a figura de um hindu que lhe impressionava muito, encontrou esse hindu fisicamente por ocasião de uma viagem à Inglaterra. Quase todos vocês já conhecem essa história. Ela, no encontro que teve com esse personagem, ouviu dele que ele tinha um grande desejo de conhecê-la e que precisava da ajuda dela para um trabalho que precisava empreender.

Esse trabalho dizia respeito a levar essa luz da integração das fontes do conhecimento, da existência dessa dimensão não sectária da espiritualidade, levar isso do Oriente para o Ocidente. Só que, se ela estivesse interessada em participar desse trabalho, teria que (não foram essas as palavras do Mestre, mas imagino que é o que ele queria dizer) aprender a controlar o seu psiquismo. E precisava fazer isso com aqueles que já tinham a ciência do desenvolvimento psíquico. Então ele diz que Helena Blavatsky precisaria viver por três anos no Tibet.

Acredito que não era só desenvolvimento psíquico não, porque na visão tibetana, o desenvolvimento psíquico por si só, não só é prejudicial, como é extemporâneo, fora de hora, se não vem como conseqüência do amadurecimento espiritual, e é na verdade, quando fora de hora, prejudicial ao verdadeiro processo que é o da espiritualidade. Então, na visão tibetana todo o treinamento é direcionado para despertar os níveis mais internos da consciência. Os poderes que vêm são conseqüência desse desenvolvimento.

Esses poderes latentes que começam com o discernimento, com a sabedoria, com a compreensão e através da penetração em certos mistérios da natureza, a mente, amadurecida, passa espontaneamente a expressar uma capacidade de interferir, através de certas leis, na estrutura geral do mundo físico… da matéria.


Então, Blavatsky começa uma trajetória de viagens e dá várias vezes a volta ao mundo. Esteve em 1840, 50, não sei bem, na América do Sul, na América do Norte. Procurou os índios norte americanos que tinham os seus segredos. Os xamãs americanos, hoje se sabe, eram grandes curadores, eram homens que faziam a ligação entre o visível e o invisível. Vejam os livros de Castañeda.

Viajou para o Egito, viajou para a Grécia, entrou na Índia, ilha de Creta, e ela viajou pelo mundo inteiro sempre atrás de indícios desses mistérios que para ela já eram de uma evidência muito rica pelo contato que teve com o Instrutor. Ela, então, penetra na Índia.

E aí vocês vão encontrar na biografia dela, relatos das tentativas frustradas de Blavatsky de entrar no Tibet. A biografia dela relata que por três vezes ela tentou entrar espontaneamente no Tibet. E não conseguiu. Foram frustradas as tentativas por várias razões. Uma delas ela passou risco de vida, num episódio muito interessante que já prenunciava o que ia acontecer depois. Ela tentava entrar acompanhada por um xamã da Tartária que levava um amuleto com ele.


E ela, muito curiosa, perguntou várias vezes sobre o amuleto e ele dizia que não poderia responder sobre o amuleto, que o amuleto responderia por si só a ela, no momento devido, e ela assim veria do que o amuleto era capaz. Então, eles perambularam, tentando entrar nas fronteiras do Tibet. E viram-se perdidos numa região desabitada, extremamente perigosa. Foi quando ela então descobriu o que aquele amuleto significava.


Ela relata uma experiência em que esse xamã coloca esse amuleto na boca e entra em catalepsia e, murmurando, ela e ele conversam, ele não estando mais em corpo físico. Ela então pede a ele: “dirige o seu movimento fora do corpo para buscar ajuda”. E esse xamã passa horas fora do corpo. Quando horas depois uma comitiva de vinte e cinco cavaleiros, chefiada por um lama, um Adepto, um homem de alto desenvolvimento, residente em um dos mosteiros daquela região, vem em socorro de Blavatsky e do xamã. Ou seja, esse indivíduo foi buscar ajuda fora do corpo a uma pessoa que o relato biográfico diz, chama de o Kut de Lhasa.


E chega esse lama a cavalo, conduz Blavatsky em segurança até fora do país, e olha que interessante, não leva para o mosteiro, leva para fora do país, e diz que ele era amigo, conhecia pessoalmente o tal Kut de Lhasa e tinha sido mandado até onde ela estava pelo tal Kut de Lhasa. E vários episódios dessa natureza ocorrem na vida de Blavatsky, e ela finalmente consegue entrar no Tibet.


Há algumas cartas, publicadas no livro Cartas dos Mestres de Sabedoria a A.P. Sinnet, que dizem que os verdadeiros lamas, os verdadeiros “Lhas”, espíritos vivos, os verdadeiros Adeptos, os verdadeiros homens da ciência sagrada, eles não são encontráveis em corpo físico e é absolutamente inútil ir buscá-los.

E essa tentativa de busca-los, mesmo no Tibet, é uma tentativa ingênua. Nessa passagem, eles dizem que não há possibilidade de serem encontrados, mas que se eles quiserem, encontrarão o buscador já nas fronteiras do seu país. Eles é que definem quando encontram ou não, aqueles que os buscam. Uma outra passagem das Cartas fala de um jovem devotado que, muito tocado pelo que veio a conhecer do conhecimento teosófico, decidiu se tornar um lama tibetano, isso no final do século passado. Ele queria ser uma lama tibetano.

E decidiu que mudaria para o Tibet. E então numa carta, o Mahatma diz que aquele jovem, na sua decisão, “não sabia a diferença entre o Lama e seu treinamento e os que eram os Lhas ou Irmãos. Mas deixe-o tentar”, deixa ele tentar o caminho, o Mestre dizia. E isso para nós é muito interessante para definir até onde a gente está falando de budismo tibetano, até onde a gente está falando de uma outra coisa.


O Mestre dizia que alguns dos verdadeiros detentores dessa ciência atuavam, naquela época, através do budismo tibetano. No entanto sabe-se que atuavam também através de outras tradições. Existem referências que falam que Blavatsky, nas suas andanças, conheceu a fraternidade egípcia, chamada Fraternidade de Luxor, e teve instruções de Mestres ligados àquela vertente dos mistérios. Mas quando ela encontra o seu Mestre, que é um hindu, este estava vinculado a uma outra seção da mesma fraternidade, a seção Trans-Himalaica, ou uma seção que envolvia Índia, Tibet, Nepal e adjacências.

E nas Cartas nós vamos encontrar essa interessante idéia de que aquelas Escolas do passado ainda existem hoje, não no mundo físico talvez, mas existem hoje, como existiram na época. E quando ele faz essa diferenciação entre um Lama tibetano e um Irmão, ele queria falar de uma Fraternidade que existia dentro do budismo tibetano. Essa Fraternidade Blavatsky chama de Fraternidade de Khelan e dá algumas referências sobre ela.


O fato de que ela realmente entrou em contato com o budismo secreto pode ser corroborado através de alguns fatos históricos interessantes. O primeiro deles, talvez seja o próprio livro “A Voz do Silêncio”. “A Voz do Silêncio” ela diz ser a tradução que ela fez de memória de textos com que entrou em contato quando esteve vivendo no Tibet. Ela traduz esses textos de memória.

Nós temos uma das obras mais inspiradoras, uma das obras mais maravilhosas que é “A Voz do Silêncio”, absolutamente respeitada por todos os teósofos, durante esses quase cento e trinta anos de existência da ST. Um livro que eu demorei muito para entender.

Eu levei quase dez anos, eu acho, para entender esse livro. Não tinha condições internas, eu acho, morais, para entender esse livro, e felizmente hoje eu começo a entender o livro. Esse livro foi reeditado na China, dentro do conjunto de livros do budismo mahayana. O cânone budista foi publicado e incluíram “A Voz do Silêncio” e o Panchen Lama da época, que era ou que é uma figura importante na transmissão espiritual dos conhecimentos tibetanos (assim como o Dalai Lama é o chefe político, o Panchen Lama era o chefe espiritual, místico do budismo tibetano) é o autor de um sutra que a seu próprio pedido foi incluído naquela edição do livro (1927).


Existem outros dados históricos que mostram experiências da Blavatsky nesse período. Um deles foi oferecido como documento à Sociedade Teosófica por um Príncipe Indiano. Este documento existia dentro dos arquivos reais do Príncipe e ele cede à Sociedade Teosófica porque no documento havia uma referência à Helena Blavatsky. Era uma carta de alguém, um hindu, que conheceu um lugar na China ou na Mongólia, onde havia uma grande caverna.

Ele diz que esse lugar é dos mais belos que a natureza já produziu e era um retiro para lamas avançados.

Essa carta é do início do século.o lama e diz que os lamas que lá meditavam tinham como chefe o lama Kut te Hum, que os teósofos saberão identificar quem é. Diz que esse lama Kut te Hum, naquele momento, ele próprio estava lá. Tinha entrado talvez há um mês e meio em samadhi, estava lá em samadhi com vários de seus discípulos próximos a ele, também absorvidos em meditação, buscando entrar na mesma sintonia do Mestre. E este Adepto levaria mais três meses e meio, se eu não me engano, em samadhi. Contaria cinco meses em estado de investigação das realidades internas.

E que esse lugar era de tal forma especial que ele, o correspondente, que era capaz de meditar três horas na cidade dele, lá conseguia meditar por oito, nove horas, sem parar. Ele estava convencido que para praticar as yogas avançadas era absolutamente fundamental um lugar com aquela atmosfera. E a Blavatsky, num outro texto, faz referência a algumas das condições necessárias para isto. E que este lugar, …, oferecia: “Na verdade não há absolutamente necessidade de ir ao Tibet ou a Índia para encontrar algum conhecimento e poder que estão em estado latente em cada alma humana.

Mas a aquisição deste conhecimento e deste poder mais elevados requer não somente muitos anos do mais severo estudo iluminado por uma inteligência superior e uma audácia que não se curva diante de nenhum perigo, mas também de retiro para uma relativa solidão e associação com estudantes que buscam os mesmos objetivos. Num local onde a própria natureza preserve, como o neófito, uma completa tranqüilidade. E se possível, total silêncio, onde o ar esteja livre por centenas de quilômetros de toda influência poluidora.

Onde a atmosfera e o magnetismo humano estejam absolutamente puros e nenhuma gota de sangue animal tenha sido derramada.” “Condições e Ensaios das Práticas Avançadas de Yoga”. E o interessante é que esse hindu, visitando esse lugar, um lugar onde ocorria um fato extremamente especial que é um Adepto em estado de samadhi, ouviu falar pelos lamas que Blavatsky tinha feito o treinamento dela também nesse lugar.

E ouviu falar de algumas realizações que Blavatsky tinha atingido. E mais. Dizia também que pelas conversas que teve com os lamas, entendeu que essa idéia de um budismo esotérico ou de algumas das proposições que a Sociedade Teosófica trouxe, diziam respeito a aspectos internos do budismo.


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Um outro exemplo disso foi uma experiência de psicometria, não sei se é esse o nome, em que uma muito competente psíquica da época que era capaz de pegar um objeto e entrar em sintonia com o objeto e saber a história do objeto, visualizando várias pessoas que tiveram contato com o objeto, o que tinha acontecido com o objeto, coisas assim.

A ela foi dada uma carta de Franz Hartmann ,que posteriormente tornou-se um escritor, e que fazia parte do núcleo interno, um grupo de estudantes que estavam muito próximos da Blavatsky recebendo instruções e praticando meditação e estudos místicos. Ele recebeu essa carta de um Adepto e pede para ela usar o seu poder para identificar de onde vinha a carta. E é muito interessante vocês pegarem o relato no livro da Blavatsky.

A médium, a psíquica, fica absolutamente impressionada com o lugar e descreve um templo, que depois Blavatsky diz ser o templo privado do Panchen Lama.


E aí a gente entra num ou tro capítulo que é o papel do Panchen Lama nessa história. A Blavatsky diz que ela própria não teve autorização para entrar nesse templo mas sabia que o Panchen Lama era chefe de uma Escola – e aí talvez por quê ele é considerado o chefe místico do budismo tibetano, e não o Dalai Lama – Ele chefiava uma Escola que havia sido criada por Tson Khapa, o criador da Linhagem Gelupa, um dos grandes reformadores do budismo.


Essa era uma Escola secreta. Era uma Escola onde atuavam Adeptos de várias nacionalidades, não apenas tibetanos. E muitos dos lamas que viviam ali nas adjacências e junto do Panchen Lama, não tinham a menor idéia da existência dessa Escola. Ela, quando foi ao Tibet, ficou na região de Shigatze, ela falava muito nesse termo. Ficou no ashram do Mestre dela, aquele que a treinava. Então, ela ficou no ashram do Instrutor, que ficava na região de Shigatze.

E ela fala num dos relatos do que viveu nessa região. E uma coisa que vai chamar muita atenção dos estudantes é uma descrição que ela faz do início dos seus estudos ocultos quando ela viu Mestres, Adeptos, retirarem os discípulos do corpo para um treinamento fora do corpo. E ela diz que ela própria passou por essa experiência, tendo ficado onze semanas fora do corpo, sem se dar conta que estava fora do corpo. Ela andava para todo lado e ficava muito indignada que ninguém a procurava, se sentindo sozinha, não entendendo o que estava acontecendo, e quando voltou foi que ela começou a entender o que se passou.

Essa experiência que ela teve, nos mostra ou corrobora o fato de que as verdadeiras escolas de mistérios têm a função de permitir ao indivíduo descobrir, em consciência física, ou seja, antes de morrer, o que se passa nos outros lados da vida, ou nas regiões para onde vamos depois que morremos. O indivíduo passa a ter consciência e controle de si próprio nessas regiões invisíveis. Vocês lembram, alguns de vocês estiveram presentes provavelmente, quando eu falei das yogas secretas e falei da yoga dos sonhos de Naropa que é uma yoga que tem essa função.

O indivíduo toma consciência que está sonhando sem sair do sonho. Ele passa a atuar no sonho e logo ele descobre a ilusão do sonho e vê que existe uma realidade sutil na dimensão onírica, e que se essa realidade da dimensão onírica é limitada ainda. Mais limitada ainda é a realidade física, que para o budista, é apenas outro nível de sonho. É como se nós estivéssemos sonhando, agora mesmo. Despertaremos um dia.


Mas então, ela passa por essa experiência. E essa experiência é corroborada depois por um outro documento que nós poderíamos estudar, mas que é muito difícil de encontrar. Eu não consegui encontrar. Eu só tive contato com esse documento através de um ex membro da Sociedade Teosófica, um estudioso muito sério desse assunto, que é o Alberto Brum, que apresentou há dez anos atrás, alguns trechos desse manuscrito aqui para nós. Então, eu tenho alguns registros do que ficaram gravados numa fita de vídeo. E é muito interessante esse manuscrito.

>Chama-se Manuscrito de Urga. Urga é um local da Mongólia, onde depois eu vim a saber, residia um ser de enorme evolução espiritual, um lama muito capaz nas artes interiores. E essa carta é mandada por um secretário do Panchen Lama para um amigo correspondente que tinha familiaridade com esses assuntos. Nessa carta o autor pede autorização ao seu chefe, o Panchen Lama, para escrever e apresentar alguns fatos.

Pede autorização do seu próprio eu interno para fazer isso e então escreve a carta. E essa carta, por várias razões, diz esse amigo nosso, acabou, depois da morte do correspondente, caindo nas mãos de um, nas mãos de outro, que fez umas cópias para alguns amigos e depois acabam sendo publicadas. Não era para ser publicada.

É um documento privado. E dessa carta publicada sob o título “Manuscrito de Urga, o correspondente, secretário do Panchen Lama, diz coisas do tipo: “eu fiz o meu treinamento (eu vou falar de memória do que eu ouvi) budista em Lhasa. Quando a iniciação caiu sobre mim, eu descobri que o budismo que conhecia era de luzes para crianças. Vi que havia uma religião para os muitos, mas algo completamente diferente para os poucos.” Nessa Escola o trabalho é feito do mundo astral – em linguagem teosófica – do mundo astral para cima.

Eu vou, se vocês permitem, colocar alguns detalhes: “Isso foi uma curiosa descoberta que a partir daí comecei a viver. Ingressei no templo interno em …(um lugar).” No Tibet há muitos que não sabem da existência destes templos interiores. Tinha uma vida secreta superior e aqueles que viviam uma vida externa, nada sabiam disso. Nesse nível estuda-se a força imensurável que a partir dessa iniciação o nível astral é considerado primário.

Muitos anos atrás eu havia aprendido sobre a suposta existência de Mestres Cósmicos. Seres que não possuem forma física ainda que instruam aqueles que estão em forma física. Eu já havia convivido com grandes Mestres encarnados mas agora, depois da regeneração que o templo interior produziu sobre mim, meu entendimento sobre os Mestres mudou. Eles são uma força espiritual impessoal.

Eles são seres de nível muito elevado e quase nunca se revelam a si mesmos.” Isso é uma coisa interessante porque vocês vão encontrar mesmo referências, tanto nas Cartas quanto nos pontos de vista clássicos, que o Adepto, o verdadeiro Lama iniciado, ele só é realmente um Adepto quando ele funciona com a consciência do seu nível interior, não no seu cérebro físico.

Ou seja, é como se no mesmo ser existisse uma dimensão pessoal, evidentemente muito mais preparada, muito mais saudável e lúcida e pacífica mas que a fonte da clareza não existe, não está diretamente ligada a personalidade, e sim ligada a dimensões interiores.

Vocês querem ver onde isso fica extremamente claro, com uma visão mais realista do que é o treinamento interior, qual é a ótica que os Instrutores têm desse processo? Eu vou ler uma passagem de uma carta de um dos Mahatmas ao Sinnett. Nessa carta, entre vários assuntos interessantíssimos, encontra-se essa passagem: “Compreenda, meu amigo, que os afetos pessoais têm pouca ou nenhuma influência sobre qualquer Adepto verdadeiro no cumprimento do seu dever. À medida que ele se eleva em direção ao perfeito adeptado, as fantasias e antipatias do seu eu inferior são enfraquecidas.

Como K.H. explicou, o Adepto acolhe toda a humanidade em seu coração e a considera em comum. O seu caso é uma exceção. (…toda a história do Sinnett, a gente vai ver isso também no nosso estudo) Você se impôs a eles. Você se impôs a um Adepto. Circunstâncias históricas levaram a essa troca de correspondência. E conquistou a sua posição pela própria violência e intensidade do seu afeto por Ele.

Uma vez que Ele o aceitou terá que arcar com as conseqüências no futuro.” Agora, o que interessa: “Entretanto, não pode ser um problema para Ele, o Adepto, o que o Sinnett visível possa ser. Os seus impulsos, os seus fracassos e êxitos em seu rumo, a sua consideração maior ou menor por Ele, o Mestre. Com o indivíduo visível nós nada temos a ver (olha que interessante) ele é para nós apenas um véu que oculta dos olhos profanos o outro ego em cuja evolução nós estamos interessados. No rupa externo, ou seja, na casca externa, no veículo externo, faça você o que quiser, tente o que quiser.

Só quando os efeitos dessa ação voluntária são vistas no corpo que está em sintonia conosco, é nosso dever prestar atenção a ela.” Olha que coisa interessante. Os verdadeiros Mestres do budismo secreto atuam num nível nosso mais profundo do que a personalidade. Nós podemos não estar conscientes disso e ainda assim, já estarmos em sintonia com Estes Seres. Porque eles atuam na nossa dimensão imortal que é como uma sementinha. É lá que os sonhos ocorrem, é lá que um outro nível de trabalho, de simpatia para o amadurecimento desse ser interior vai ocorrendo.

O que se passa no mundo físico é retirar as obstruções para que essa natureza interior desenvolvida possa se expressar através da personalidade. A personalidade pode bloquear completamente o aparecimento desta luz interna, dependendo dos seus condicionamentos, dependendo dos seus obstáculos interiores. Portanto, toda a caminhada, no nível psicológico, psicofisiológico, vamos dizer assim, se dá para suavizar a estrutura interior, a vida emocional, física e mental para que essa luz interna possa fluir através. Agora, esta luz interior já está sendo nutrida numa outra dimensão pela ação dos verdadeiros Adeptos. Essa é a ação das verdadeiras Escolas interiores.

O Mestre atua numa outra dimensão sua. E é seu dever levar sua prática interior para que a personalidade deixe de atrapalhar … Quando a gente deixa de atrapalhar com nossas limitações pessoais, vem o que já existe dentro de nós. Então, estes Mestres que podem usar o corpo físico, podem ser conhecidos por um nome, vocês podem estar perto deles e não ter a menor idéia de quem realmente são. Porque é fora da personalidade que eles vão mostrar sua verdadeira capacidade.


Outras passagens desse manuscristo de Urga mostram que o aprendizado e o amadurecimento de um iniciado se dá de uma forma espantosamente rápida. Porque se o seu corpo físico – o caso dos tibetanos – ficasse em repouso em algum templo guardado, o seu eu interior ganhava uma liberdade de ação nas dimensões superiores que lhe permitia conhecer o que ocorria em qualquer parte do mundo mesmo que seu corpo físico tivesse adormecido em algum lugar, em alguma montanha dos Himalaias.

Então, estes seres aprendiam com tudo o que ocorria na humanidade. Eram capazes de compreender os pensamentos mais íntimos da humanidade, aprofundar sua compreensão do funcionamento da humanidade, desenvolver qualificações para servir às necessidades interiores dos seres humanos, mesmo que o corpo que não tivesse absolutamente em movimento.


Lá pelas tantas, num destes níveis, diz o manuscrito de Urga, “o indivíduo ganha condições de escolher o seu nascimento”. Ou seja, aí é o tulku, a hoje conhecida tradição dos tulkus. E um escritor chamado Geoffrey Barborka lançou um livro chamado “Blavatsky, Tibet e Tulku”, onde ele defende que o treinamento interno da Blavatsky torna claro que ela poderia ser classificada como um tulku, ou um ser que tem já consciência dos seus nascimentos prévios e que tem capacidade de escolher o próximo nascimento, porque já conhece toda a dinâmica da ocupação do corpo, porque já conhece, com o auxílio de seu mestre, já conhece alguns condicionantes kármicos. Portanto, nesse nível maior pode fazer escolhas que qualquer um de nós não poderia fazer.

Um outro tópico interessante a respeito da relação de Blavatsky com o tantrismo tibetano se dá numa confusão que acabou sendo gerada através dos termos que ela usou. Por exemplo: nesse livro aqui eu encontrei uma passagem em que ela fala que “quase todos os indianos versados nesse assunto já teriam ouvido falar do, se não me engano, Banda-chan Rambouji.., algo assim,. E eu passei reto por isso. E lendo a segunda vez, a terceira vez, foi que caiu a ficha de que o que Blavatsky escreveu como Banda-chan Rambouji… não é mais do que Rinpoche que hoje todos nós conhecemos o que é.

Mas quando ela esteve no Tibet, não havia qualquer tradução do tibetano para as línguas ocidentais. Então, coisas do tipo, livros de kyu-te, onde ela fala que baseia as suas obras, no livro de Kiltare, …, foi saber o que era o livro de Kyu-te, até que um filólogo americano descobre que o livro de kyu-te que Blavatsky chamava, a exemplo do Rambouji, não passava do livro de Gyud que significa tantra em tibetano. Ou seja, livros de Kyu-te são os tantras tibetanos e foi nisso que Blavatsky baseou a sua obra. Ela conheceu os livros tântricos no seu treinamento interior numa época em que ninguém sabia disso.

Então, muitos outros pequenos relatos poderiam ser dados a respeito desse detalhe. Talvez nas perguntas a gente possa expor isso um pouquinho melhor. Mas, então, onde que eu quero chegar com isso tudo?


Os poderes extraordinários que esta mulher demonstrou ter no seu período de ação, quando ela foi para a Europa, foi aos Estados Unidos primeiro, depois à Europa, e ela então começa um movimento que teve a grande função de resgatar para o Ocidente, a sabedoria do Oriente. E essa interessante idéia de que sempre existiram os guardiões do sagrado, vivos, em todas as épocas da humanidade, inclusive hoje, e que esse sagrado na verdade é uma ciência que pode ser conhecida e será conhecida por aquele que tiver qualificação para pedir e ser aceito.

Bater e a porta se abrir. Tudo isso que ela desenvolve, esse trabalho maravilhoso que ela faz, as obras que escreve, o efeito impactante e profundo que esse movimento provoca porque não era confiando apenas na Sociedade Teosófica. A Sociedade Teosófica foi uma das pioneiras. Mas quantos outros pensadores atuaram na mesma direção fazendo com que hoje essas idéias sejam tão populares para muitos de nós, coisa que não se tinha como chegar nem perto disso, cento e vinte anos atrás.

Pois todo o trabalho que ela fez, a força interior que ela desenvolveu para poder desenvolver esse trabalho, tiveram a sua origem na sua preparação interior que foi feita, segundo esses relatos, em Escolas Secretas pertencentes ao budismo tibetano mas que não são restritas ao budismo tibetano.

Na verdade, nessa dimensão já não se pode falar de budismo, de cristianismo, de judaísmo, do que for. Lá só se pode falar da Força Imensurável. Se pode falar da realidade por trás das palavras, por trás das divisões, por trás do racional. Ela viveu .., teve o seu treinamento e trouxe para nós algumas indicações de que essa é uma faceta da realidade extremamente interessante para todo aquele que é sério na busca da sua espiritualidade essencial.


Então, creio, para concluir esse trabalho, que Blavatsky não foi teórica nas coisas que escreveu. Ela viu de perto. Ela conviveu com o Mestre dessa … Esteve lá e fez o seu treinamento. E se o budismo tibetano hoje guarda ainda essa dimensão secreta, quem poderia dizer? Tampouco quero eu mistificar o budismo tibetano e seus representantes através dessa apresesentação. Porque a natureza dessas escolas transcende absolutamente qualquer representação religiosa no tempo e no espaço.

Os budistas tibetanos viveram sim, espero eu que ainda tenham essa porta aberta, como os cristãos viveram isso, como os judeus em seu tempo viveram isso também. Como todas as grandes tradições em seu tempo áureo, também puderam viver. Então, era apenas isso que eu queria compartilhar com vocês.


(Alguém faz uma pergunta que não ficou gravada. A resposta, sim)


As polaridades em que … (barulho). da luz e da sombra. Você vai encontrar nas Cartas referências a isso o tempo todo. Que cada passo – isso é uma coisa extremamente interessante pelos efeitos práticos – Cada passo que nós damos em direção à luz, ou cada passo que nós damos genuinamente, na direção de nós próprios, vai sofrer uma oposição em igual medida. Em igual proporção. Não existe caminho linear em direção à luz. O caminho é um caminho de confrontação da sombra.

Parece que em muitos níveis diferentes esse processo se dá. Nós vamos encontrar isso na natureza que exemplifica a polaridade de várias formas, da mais clássica à mais básica. O dia e a noite. O Tao e o Todo foi a grande lição de que não é possível ter a realidade sem ter também os dois aspectos, sempre dialeticamente. Alguém uma vez .se é verdade, se tiver alguém mais qualificado em línguas, por favor me corrija. Alguém me disse que o chinês antigo ele trabalhava. Por exemplo, o termo chi significava espírito, era traduzido como não paixão.

Quer dizer, remete para o oposto, para o negativo para você compreender o que é. Estamos vendo mais um exemplo de que a dialética nesse nível da realidade é altamente chave.


Mas concretamente falando, assim como existe a fraternidade daqueles que trabalham na direção do crescimento, existe a fraternidade que trabalha na direção da degeneração. São todos irmãos que empreendem caminhos diferentes e que fazem trabalhos opostamente diferentes. E o tempo todo esses Adeptos que trabalham com a luz precisam confrontar a oposição dos seus opositores que usam todos os recursos para isso, inclusive a própria religião. Dentro das próprias religiões é que a gente vai encontrar o. das forças negras.

Vocês vão ver (barulho) alguns traços muito curiosos, como por exemplo, o assassinato dos Dalai Lamas, coisas assim. Então, é normal. Impressionante a clarividência deles porque nas Cartas, muitas vezes, eles anunciam com meses de antecedência crises que estão já se formando nos mundos mentais e que vão acabar logo ali, em geral pela ação da confusão mental de um ou de outro, ou pela deliberada má intenção de um com o outro. Houveram organizações religiosas, inclusive, que fizeram verdadeiros trabalhos de boicote contra o trabalho que o Dalai Lama empreendeu. (não ficou claro se as três últimas palavras são mesmo essas)


Alguém pergunta: Qual seriam os interesses deles? Porque eles querem fazer o negócio regredir? O que se ganha com isso?


Eu acho que para entender isso, precisa lembrar daquela coisa de que nós somos de uma natureza dual. Todos nós somos uma natureza dual. Nós temos uma personalidade cuja força básica é a auto manutenção. E para essa personalidade baseada na auto manutenção, os prazeres decorrentes do mundo nos servindo é a coisa mais gostosa para a personalidade. O movimento espontâneo da personalidade é fazer o mundo ficar a nosso serviço. Tanto que você vai ver que nos estágios de desenvolvimento infantil a criança começa a manipular o mundo.

Ela começa a colocar o mundo a seu serviço em determinado momento. Quer dizer, nos níveis mais inferiores da consciência, a ação é sempre essa. É a manipulação… (terminou a fita I). esquecer alguns parâmetros éticos básicos. Na medida em que ele começa a esquecer isso e não tem mais limites para a sua ação, a primeira coisa que ele faz é entrar no crime. Um passo além, é usar forças ocultas para o crime ou para criar situações para si próprio. A gente não pode ver a questão das forças da oposição como uma coisa muito abstrata, não, porque é absolutamente concreta.

Esse mundo que nós vivemos é o reino das forças de oposição. É ou não é? Basta ver como os países estão organizados, basta ver como a economia está organizada, e vocês vão ver ali a ação dessas forças da oposição. Quando o Dalai Lama propõe que as relações entre os países deveriam ser repartidas meio a meio, sem explorar. Por que um país explora outro?


Vamos nos relacionar sem exploração. Parece um vento de tão abstrato num mundo tão denso em relação a outros princípios completamente diferentes. Princípios que levam, que motivam todo o processo exploratório, imperialista, que considera sempre o meu acima de tudo e “vamos usar os outros para me favorecer.”

Então, nos níveis mais profundos, vocês só vão ver o exagero desse princípio nas nossas vidas pessoais, mas também, às vezes…


Ao contrário, o caminho das forças brancas, ele é muito mais difícil, mas evidentemente mais poderoso. Mas ele é muito mais difícil porque envolve esforço, envolve esquecimento de si próprio para priorizar o outro. Aquele que vai no caminho da mão direita, pensa no outro primeiro. Pensa sempre mais no outro. Até o ponto em que ele já não pensa mais em si próprio. Isso é muito interessante.

O indivíduo que deixa de pensar em si próprio – não é não ter consciência de si próprio, isso aí é outra história – ter consciência de si próprio, mas deixar de pensar em si próprio e viver absolutamente a serviço de todas as formas de vida, torna a vida absolutamente leve, deliciosa. É a única leveza sustentável do ser, possível. Agora, a dificuldade é que nós todos temos como referência de felicidade, os nossos prazeres. Em geral os nossos prazeres dependem de terceiros. Aí começa a grande confusão.


Alguém – É aí que as forças negras entram em ação.


Exatamente. A função delas, dentro da trajetória oculta, a função das forças negras dentro da trajetória oculta, é identificar em você cada semente de egoísmo que você guarda. E há uma passagem interessante aqui nas Cartas que os Mestres dizem que eles dão carta branca para as forças negras para atuarem sobre os seus discípulos. Porque só assim os discípulos podem se desenvolver. O ser humano não se desenvolve sem essa oposição. E se o mais nefasto não vier à tona, aquilo vai ficar lá dentro guardado e como um obstáculo ao verdadeiro desenvolvimento.

Por isso que a verdadeira caminhada ela é exatamente oposta da caminhada externa da religião que mostra – aqui tem uma passagem, uma passagem belíssima – que mostra que, olha só. Este Mahatma está se referindo ao julgamento que o correspondente dele, o Sr.Sinnett, fez em relação a um personagem. Este personagem chamava-se Bennett e era um camarada extremamente ativo socialmente, lutando por causas sociais, humanitárias e sendo perseguido de uma forma cruel.

Este Bennett era um americano e ele usava as mãos sujas, não tirava a sujeira das unhas, o colarinho estava meio desgrenhado, estava meio sujo também e ele falava de um jeito meio grosseiro, meio direto, assim. Então para o refinamento de um inglês como Sinnett, que era um cavalheiro, aquilo era absolutamente inadmissível. Ele tinha um preconceito pelo Bennett. Aí ele recebe uma carta, mas uma carta do Mahatma, avaliando.

O Mahatma viu o coração dele, o Mahatma viu o que ele sentia pelo Bennett e Ele diz o seguinte: “Você só viu que as mãos de Bennett não estavam lavadas, que tinha as unhas sujas, usava uma linguagem grosseira e tinha, na sua opinião, um aspecto geral desagradável. Mas se esse modo de apreciar é seu critério de excelência moral, sahib, quantos Adeptos ou Lamas que produzem maravilhas passariam em seu exame?

Esta é parte de sua cegueira. (Este Mahatma tem um estilo impressionante de falar. Olha que bonito) Se ele morresse neste minuto, e empregarei uma fraseologia cristã para fazê-lo compreender melhor, o Anjo Registrador da Morte derramaria, por outros homens igualmente maltratados, poucas lágrimas mais amargas dos que as que derramaria por Bennett. Poucos homens têm sofrido e sofrido injustamente tanto como ele. E também poucos têm o coração mais bondoso, altruísta e sincero. Isso é tudo. E o sujo Bennett é moralmente tão superior ao cavalheiresco Hume, (que é outro personagem) como você é superior ao seu carregador.”

Agora vejam essa passagem: “A doce polpa da laranja está dentro da casca, Sahib. (Sahib é a forma como os hindus se dirigem a outro). Tente localizar as jóias dentro das caixas e não confie naquelas que estão desenhadas na tampa. Digo novamente. O homem Bennett é honesto e muito decidido. Não exatamente um anjo. Esses têm que ser procurados nas igrejas elegantes, em festas e mansões aristocráticas, teatros e clubes e outros locais semelhantes.” O que ele dizia é que o caminho da aparência é exatamente o oposto do caminho do ocultismo.

No caminho do ocultismo é fundamental que as sementes de egoísmo, de maldade, de qualquer coisa que nós tenhamos, venham à tona. Por isso que o verdadeiro ocultista tem que ser uma pessoa meio difícil também. Porque é normal. Não pode estar escondendo de si próprio, e provavelmente dos outros, as questões ainda primitivas no interior de si próprio. Ele tem que ter consciência ao lidar com isso e ele é ajudado a lidar com isso da forma mais cruel, ou seja, pela ação das forças negras.


E existe uma passagem interessante citada num livro teosófico que faz referência ao Anjo Negro, que impede até o fim o progresso final da alma. Mas quando a alma consegue por fim se livrar de todos os seus empecilhos, de todas as artimanhas, e entra na luz, esse Anjo Negro solta seu sorriso de glória. Ou seja: missão cumprida. Conseguiu fazer o Adepto chegar até o seu destino. Se não fosse pela ação das forças da oposição, não haveria a possibilidade do fortalecimento dele até à luz.


Alguém – Quer dizer que nós também temos que usar as forças negras a nosso favor e não deplorar elas?
Nós vamos ter que usar a nosso favor.


Alguém – Veja bem. Você é humilhado por alguém. Em vez de você ficar com raiva, você perceba o que está passando.
Isso é extremamente difícil mas é o caminho. Eu falho freqüentemente.


O mesmo alguém – Não só você.



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